O perigoso movimento antivacina.

 


 O Brasil alcançou no último sábado, 28/09, o número de 142 mil mortos pela Covid-19. Levou apenas 6 meses para que a pandemia chegasse a esses números. Uma tragédia nacional que nos deixa de luto. Milhares de famílias perderam entes amados e, por conta de motivos sanitários, nem o direito a despedia apropriada tiveram. Uma tristeza imensa.

Desde o início da pandemia a esperança de uma vacina tem ganhado o significado de um possível retorno aos hábitos sociais. A cada notícia sobre o avanço das pesquisas nosso coração se enche de alegria. A vacina pode ser nossa saída dessa terrível situação.

Entretanto, uma pergunta deve ser feita: Por que as vacinas são tão importantes? De maneira resumida, podemos dizer que elas são responsáveis por prevenir que doenças potencialmente mortais nos infectem. Sua invenção revolucionou o sistema de saúde no Século XX, reduzindo a mortalidade infantil e a ocorrência de surtos e epidemias de várias enfermidades. Estima-se que a cada ano entre 2 e 3 milhões de vidas sejam salvas pela vacinação em todo o mundo.

Porém, mesmo com seu sucesso inegável, há grupos contrários a vacinação. Chamados de Movimentos Antivacina, defendem que o atual esquema seja prejudicial à saúde e que colocaria as crianças em risco.

O “boom” desse movimento tem relação com um estudo publicado em 1998 pelo médico britânico Andrew Wakefild na importante revista The Lancet. De acordo com o médico, a vacina tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola, estaria relacionada ao autismo em crianças. Como era de se esperar, o estudo caiu como uma bomba na comunidade científica e foi amplamente divulgado pela mídia.

Cientistas, desconfiados da veracidade do estudo de Andrew, passaram a realizar pesquisas para investigar tal relação. Descobriu-se que as vacinas eram sim seguras e algo ainda muito grave: Wakefild havia fraudado os resultados de seus estudos. O médico tinha se envolvido com advogados interessados em processar fabricantes de vacinas e lucrar com indenizações. A descoberta da fraude levou a cassação do registro médico de Andrew e sua proibição de exercer a medicina no Reino Unido. A revista The Lancet se desculpou pelo erro e retirou o estudo de seus registros.

O estrago, porém, estava feito. Conspiracionistas, alguns grupos religiosos e “naturalistas” ainda citam o estudo para justificar a não vacinação de crianças. O movimento vem crescendo e preocupando as autoridades sanitárias a ponto da OMS (Organização Mundial da Saúde) considerar, em 2018, a não vacinação um grande risco à saúde.

O Brasil possui sistema gratuito de vacinação dos mais completos do mundo. Dessa forma, doenças graves como o sarampo, que matavam milhões na década de 90 no mundo, chegaram a ser erradicadas no país. E aqui reside um risco. As vacinas têm sofrido pelo próprio êxito. Doenças que afetavam milhares a cada ano foram se tornando raras ou desapareceram por conta da imunização. Com isso, muitos foram relaxando quanto a prevenção. Agora, o retorno de algumas doenças erradicadas volta a preocupar.

No ES, em 2016, as campanhas de vacinação para BCG (tuberculose), poliomielite (paralisia infantil), pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e influenza B) e pneumocócica (pneumonia) ficaram abaixo da meta. Em 2018 a adesão a vacinação foi a menor em 16 anos. Devemos acender o alerta vermelho.

A vacinação é um ato de responsabilidade coletiva e de saúde pública. Quando metas são atingidas protegemos a todos, inclusive aqueles que não podem se vacinar como crianças fora da idade e transplantados, por exemplo. Chamamos isso de imunidade coletiva ou de rebanho.

Desde 2018 existe uma lei no ES que obriga a apresentação do cartão de vacina para menores de 18 anos no ato da matrícula escolar na rede pública estadual. Confesso que acho triste que seja necessário uma lei para obrigar a proteção de nossas crianças. O cuidado deveria ser um ato instintivo.

Vacinas são seguras e salvam vidas. Antes de sua liberação, vários testes são realizados. Sejamos responsáveis. Vivemos coletivamente e cuidar de mim significa cuidar de você também. Se esse elo se enfraquecer, todos temos a perder.

Confiemos na ciência. E vamos manter a torcida para que a vacina contra a Covid-19 saia logo.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quizz em sala de Aula com o Kahoot

Como usar mapas mentais para melhorar aprendizagem na escola