O perigoso movimento antivacina.
Desde o início da pandemia a
esperança de uma vacina tem ganhado o significado de um possível retorno aos
hábitos sociais. A cada notícia sobre o avanço das pesquisas nosso coração se
enche de alegria. A vacina pode ser nossa saída dessa terrível situação.
Entretanto, uma pergunta deve
ser feita: Por que as vacinas são tão importantes? De maneira resumida, podemos
dizer que elas são responsáveis por prevenir que doenças potencialmente mortais
nos infectem. Sua invenção revolucionou o sistema de saúde no Século XX,
reduzindo a mortalidade infantil e a ocorrência de surtos e epidemias de várias
enfermidades. Estima-se que a cada ano entre 2 e 3 milhões de vidas sejam
salvas pela vacinação em todo o mundo.
Porém, mesmo com seu sucesso
inegável, há grupos contrários a vacinação. Chamados de Movimentos Antivacina,
defendem que o atual esquema seja prejudicial à saúde e que colocaria as crianças
em risco.
O “boom” desse movimento tem
relação com um estudo publicado em 1998 pelo médico britânico Andrew Wakefild
na importante revista The Lancet. De
acordo com o médico, a vacina tríplice viral, que protege contra caxumba,
sarampo e rubéola, estaria relacionada ao autismo em crianças. Como era de se
esperar, o estudo caiu como uma bomba na comunidade científica e foi amplamente
divulgado pela mídia.
Cientistas, desconfiados da
veracidade do estudo de Andrew, passaram a realizar pesquisas para investigar
tal relação. Descobriu-se que as vacinas eram sim seguras e algo ainda muito
grave: Wakefild havia fraudado os resultados de seus estudos. O médico tinha se
envolvido com advogados interessados em processar fabricantes de vacinas e
lucrar com indenizações. A descoberta da fraude levou a cassação do registro
médico de Andrew e sua proibição de exercer a medicina no Reino Unido. A
revista The Lancet se desculpou pelo
erro e retirou o estudo de seus registros.
O estrago, porém, estava
feito. Conspiracionistas, alguns grupos religiosos e “naturalistas” ainda citam
o estudo para justificar a não vacinação de crianças. O movimento vem crescendo
e preocupando as autoridades sanitárias a ponto da OMS (Organização Mundial da
Saúde) considerar, em 2018, a não vacinação um grande risco à saúde.
O Brasil possui sistema
gratuito de vacinação dos mais completos do mundo. Dessa forma, doenças graves
como o sarampo, que matavam milhões na década de 90 no mundo, chegaram a ser
erradicadas no país. E aqui reside um risco. As vacinas têm sofrido pelo
próprio êxito. Doenças que afetavam milhares a cada ano foram se tornando raras
ou desapareceram por conta da imunização. Com isso, muitos foram relaxando
quanto a prevenção. Agora, o retorno de algumas doenças erradicadas volta a
preocupar.
No ES, em 2016, as campanhas
de vacinação para BCG (tuberculose), poliomielite (paralisia infantil),
pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e influenza B) e
pneumocócica (pneumonia) ficaram abaixo da meta. Em 2018 a adesão a vacinação
foi a menor em 16 anos. Devemos acender o alerta vermelho.
A vacinação é um ato de
responsabilidade coletiva e de saúde pública. Quando metas são atingidas
protegemos a todos, inclusive aqueles que não podem se vacinar como crianças
fora da idade e transplantados, por exemplo. Chamamos isso de imunidade
coletiva ou de rebanho.
Desde 2018 existe uma lei no
ES que obriga a apresentação do cartão de vacina para menores de 18 anos no ato
da matrícula escolar na rede pública estadual. Confesso que acho triste que
seja necessário uma lei para obrigar a proteção de nossas crianças. O cuidado
deveria ser um ato instintivo.
Vacinas são seguras e salvam
vidas. Antes de sua liberação, vários testes são realizados. Sejamos
responsáveis. Vivemos coletivamente e cuidar de mim significa cuidar de você
também. Se esse elo se enfraquecer, todos temos a perder.
Confiemos na ciência. E vamos
manter a torcida para que a vacina contra a Covid-19 saia logo.

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